Karongwe

A manhã começa fresca. O suficiente para baixar as mangas da camisa e subir o colarinho enquanto seguimos no nosso “game drive” matinal. Nem percebi que o sol ainda não tinha nascido quando se começam a desenhar as silhuetas das montanhas ao longe no horizonte. Nunca la fui mas já as conheço de cor, as Drakenberg Mountains. Lindas, pelo que contam. E não são só elas que ganham forma… parece que tudo começa a ganhar vida com os primeiros raios de sol, ate uma pequena brisa começou a soprar, como que empurrada pelo sol tal como quem abre uma janela para renovar o ar e trocar a noite pelo dia.
Impalas, zebras e gnus mostram-se indiferentes à nossa passagem e parece que tentam aproveitar todo o tempo da breve e fresca manhã para forrajar tudo o que podem, antes que o calor abrasador impossibilite fazer seja o que for. Não é para menos pois hoje prevê-se um dia especialmente quente.
Logo pelas 9:00, ainda com pouco mais de 2 horas de sol começa a ficar insuportável ficar fora de sombra. É tempo de voltar para o camp e continuar com as lectures, review tests e workbook.
Hoje até era suposto fazermos a caminhada mas como o camp estava cheio de pegadas de leopardo a toda a volta, por segurança fizemos um “game drive”.
O dia aquece progressivamente até ao nível de fornalha. O que há pouco era um lugar exuberante cheio de vida, cores e sons, é agora um lugar estéril, encandeceste e silencioso.
A humidade típica do fim da tarde chegou hoje mais cedo como que anunciando mudanças…
As tempestades que normalmente ouvimos ao longe há alguns dias, parecem encaminhar-se agora furiosamente na nossa direção. Enquanto o sol se mostra relutante em sair de cena deste palco em que hoje foi protagonista, começam as primeiras chuvas, num crepúsculo sufocante de quase 40 graus enquanto colunas gigantes de nuvens cospem raios que iluminam toda a paisagem que se vai escurecendo. Curiosamente hoje foi a lecture de meteorologia, onde aprendemos como se formam e de onde vêm precisamente estas Cumulus Nimbus com ar de quem vem descarregar um dilúvio bíblico!
Vou tomar o meu terceiro duche do dia, hoje ao som dos trovões. Conto os segundos de intervalo e… parece estar ainda longe. O caminho para a tenda é curto mas o suficiente para ficar encharcado como se tivesse saído directamente do duche. Por isso decido tirar a camisa e sentir a chuva no corpo. É quente.
Deito-me e escrevo…
Voltei a sentir-me criança com medo dos trovões e em constante ansiedade à espera que o próximo já seja menos violento. Não sei se por estar numa tenda ou se tudo aqui é mesmo em tamanho XL mas não há trovões destes la na terra de onde eu venho!
Aos meus pés, a tenda apenas se fecha com uma rede mosquiteira e o que retenho desta noite mal dormida é este espetáculo de flashes que iluminam toda a paisagem em tons de preto e branco. Só por isto já valeu a pena.
O dia começa como todos os outros, como se nada tivesse acontecido e pronto para mais um dia escaldante. Parece que afinal não foi desta que as chuvas vieram para ficar…
Saímos mais uma vez cedo para o Game Drive matinal. Todos os dias são diferentes mas este foi mais diferente que os outros. Vimos o animal, que apesar de comum, é o mais esquivo e difícil de ver: o leopardo! Obviamente fui eu que o descobri 😉
E assim são os dias em Karongwe…

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